Maria Giulia Pinheiro é uma poeta, dramaturga, performer, encenadora e pesquisadora que vive e trabalha entre Brasil e Portugal. Nascida em São Paulo, desenvolve uma obra que aproxima literatura, teatro, poesia performática, spoken word e investigação acadêmica, tornando-se uma das vozes da produção artística contemporânea em língua portuguesa.
Autora de livros de poesia e dramaturgia publicados no Brasil e em Portugal, sua escrita atravessa temas como linguagem, memória, feminismos, deslocamentos, relações de poder e os modos como a palavra produz encontro, conflito e transformação. Sua criação artística circula entre a página, a cena e a performance, explorando diferentes formas de oralidade e de presença.
É vencedora do Prémio Nova Dramaturgia de Autoria Feminina (DGArtes, Portugal) com a peça "Isso não é relevante". Desde 2012, escreve para teatro e criou espetáculos apresentados em Portugal, Brasil, Moçambique, Cabo Verde e Galiza, entre eles "A Palavra Mais Bonita", "Poetry-up, Stand-poetry ou algo assim entre língua, boca, faca, ação e riso", "Arqueologia de um amor contemporâneo" e "Viemos Roubar os Vossos Maridos".
Como poeta e artista da palavra falada, foi finalista da Copa do Mundo de Poetry Slam (2020), representando Portugal, e participa do circuito internacional de slam poetry e performance desde 2013. Seu trabalho investiga as relações entre poesia contemporânea, oralidade, corpo e espaço público, aproximando literatura e performance em festivais, teatros, bibliotecas e instituições culturais.
Além da criação artística, desenvolve uma intensa atuação na formação de escritores, dramaturgos e artistas. Em 2017 fundou o Núcleo de Dramaturgia Feminista, projeto internacional que já reuniu centenas de participantes de diversos países e deu origem a livros, laboratórios, podcasts e processos coletivos de criação. Também criou e dirige iniciativas que se tornaram referência na cena da literatura performática em Portugal, como Slam no CAM, Todo Mundo Slam, Ginginha Poética, Slam Camões, Ciranda: Jogo de Palavra Falada e ZONA lê Dramaturgia.
É doutoranda em Discursos: Cultura, História e Sociedade, na Universidade de Coimbra, onde pesquisa poesia performática, análise do discurso, teatro contemporâneo e imaginários feministas. Sua trajetória articula produção artística, investigação acadêmica, curadoria e educação, criando pontes entre universidade, cena e comunidade.
Maria Giulia Pinheiro é autora dos livros "Da Poeta ao Inevitável" (2013), "Alteridade" (2016), "Avessamento" (2017), "30 (poemas de amor) para (os) 30 (anos de alguém que nunca amei tanto assim)" (2020), "Isso não é relevante" (2022) e "A Palavra Mais Bonita", além de organizar publicações coletivas dedicadas à dramaturgia contemporânea escrita por mulheres.
Sua obra insere-se no campo da literatura contemporânea em língua portuguesa, dialogando com a poesia, o teatro, a performance e a criação coletiva. Entre Brasil e Portugal, sua pesquisa artística investiga como a palavra pode funcionar como prática estética, política e espaço de encontro.