Maria Giulia Pinheiro é dramaturga brasileira residente em Lisboa, com atuação regular em Coimbra e circulação entre Portugal e Brasil. Escreve para teatro desde 2012, com obras encenadas em palcos e festivais nos dois países.
Vencedora da 2.ª edição do Prémio Nova Dramaturgia de Autoria Feminina (DGArtes) com Isso não é relevante, desenvolve uma dramaturgia contemporânea que cruza literatura, performance e pensamento feminista, com apresentações em Portugal (Lisboa e Coimbra), Brasil, Moçambique, Cabo Verde e Galiza.
Entre os seus trabalhos mais recentes estão "Arqueologia de um Amor Contemporâneo" (Lisboa, 2024) e "Viemos Roubar os Vossos Maridos" (Lisboa, 2025). É também criadora do Núcleo de Dramaturgia Feminista, projeto formativo com impacto internacional.
A sua escrita posiciona-se no panorama da dramaturgia contemporânea em Portugal, conectando cena, investigação e práticas artísticas decoloniais.
Alteridade é um espetáculo de poesia performática e teatro contemporâneo criado por Maria Giulia Pinheiro que investiga a violência de gênero, a autonomia do corpo e as possibilidades de reconstrução após o trauma.
Estruturada como um poema dramatúrgico em sete "círculos", a obra acompanha a trajetória de uma mulher que, após sofrer uma violência sexual, atravessa as marcas do abuso, a descoberta de uma gravidez, a escolha pelo aborto, a culpa imposta socialmente e o conflito entre corpo, lei e moral. Ao longo desse percurso, a personagem confronta os mecanismos da cultura do estupro e rompe com imaginários patriarcais, reconstruindo sua própria narrativa.
Entre poesia, dramaturgia e performance, Alteridade propõe uma reflexão sobre violência contra as mulheres, direitos reprodutivos, memória e resistência, transformando a palavra em um gesto de elaboração, denúncia e liberdade.
A Palavra Mais Bonita é um espetáculo de poesia performática criado por Maria Giulia Pinheiro que transforma as palavras do público em poemas escritos e performados ao vivo. Inspirada pela experiência de acompanhar a perda da fala de seu pai antes de sua morte, a obra investiga a memória, o luto, a oralidade e a potência da língua portuguesa como espaço de encontro. Entre literatura, spoken word, teatro e performance, o espetáculo percorre países da comunidade lusófona desde 2019, reunindo palavras, histórias e afetos para criar um arquivo vivo da língua portuguesa a partir da participação do público.
Arqueologia de um Amor Contemporâneo é uma performance poética criada por Maria Giulia Pinheiro e Gonçalo Antunes que investiga as relações entre literatura, memória, arquivo e amor. Partindo da pergunta "Todos os poetas sentem o mesmo amor que eu?", o espetáculo entrelaça poesia, documentos íntimos, filosofia e relatos autobiográficos para construir um ensaio performativo sobre as formas contemporâneas de amar.
Em cena, os performers revisitam registros de sua própria história desde 2021 e dialogam com textos de escritores e pensadores que atravessaram a experiência amorosa, entre eles bell hooks. Entre autoficção, poesia e performance, a obra propõe uma escavação afetiva que revela como nossos modos de amar são moldados pelas palavras, pelas narrativas e pelos imaginários que herdamos. Afinal, como escreve bell hooks em Tudo Sobre o Amor: Novas Perspectivas: "O amor é o que o amor faz".
Partindo de experiências autobiográficas, a obra articula diferentes linguagens cênicas para refletir sobre maternidade, madrastidade, pertencimento e a experiência de uma mulher brasileira em Portugal. Entre relatos, poemas autorais e momentos de humor, a performance desloca continuamente o olhar do público, aproximando comicidade, poesia e pensamento crítico.
Ao entrelaçar literatura, performance e teatro contemporâneo, o espetáculo propõe uma reflexão sobre as relações entre raça, gênero, classe e colonialidade, questionando os privilégios da branquitude e os modos como essas estruturas atravessam a vida cotidiana.
A obra estreou em 2024 no "FeLiCidade – Festival da Língua e da Liberdade na Cidade", realizado no Centro Cultural de Belém (Lisboa), consolidando a pesquisa artística de Maria Giulia Pinheiro sobre poesia performática, oralidade e dramaturgia contemporânea.
Laboratório de Confluências é um projeto de criação artística concebido e dirigido por Maria Giulia Pinheiro que reúne artistas brasileiros residentes em Portugal em um processo colaborativo de pesquisa, performance e experimentação. Desenvolvido em diálogo com a exposição ¨complexo brasil¨, da Fundação Calouste Gulbenkian, o laboratório aproxima teatro, poesia, literatura, performance e artes visuais para investigar temas como migração, memória, identidade, colonialidade e pertencimento. A obra integra a pesquisa de Maria Giulia Pinheiro sobre dramaturgia contemporânea, criação coletiva e práticas artísticas entre Brasil e Portugal.
Viemos Roubar os Vossos Maridos é um espetáculo de teatro documental criado por Maria Giulia Pinheiro a partir do caso real das Mães de Bragança, um dos episódios mais marcantes da imigração brasileira em Portugal. Em 2003, uma carta escrita por mulheres da cidade de Bragança, pedindo a expulsão das trabalhadoras do sexo brasileiras, ganhou repercussão internacional ao estampar a capa da revista TIME. Meses depois, cerca de 200 brasileiras foram expulsas da região.
A partir desse acontecimento histórico, o espetáculo entrelaça documentos, memórias e as histórias reais das atrizes Tati Pasquali e Camila Cerqueira, além da participação, em vídeo, de uma das protagonistas do episódio. Entre teatro, testemunho e arquivo, a obra reflete sobre machismo, racismo, xenofobia, migração e patriarcado, questionando como mulheres são historicamente colocadas umas contra as outras e quais estruturas de poder se beneficiam dessas divisões.